Quantos Mais Devo Satisfazer?

Autor: Giu Knoxville
Ano: 2008


E quanto ao revoar dos pássaros, te digo com franqueza que nunca mais serei eu mesmo, por quantos caminhos mais trilhar, por quantas noites mais virar, e células mais entalhar.
Quantos mais forem os passos na direção oposta, outras tantas irão pesquisar, caberia apenas a um olhar, distante ao qual não possa repousar.
Entoar então à toa, faça-me um pedido que eu direi se posso recusar, iria a pé para qualquer parte, lutaria com todas as energias, faria de tudo por quanto mais podia.
Faria, iria, urgia, queria, temia.
Por todos os cantos sinto o perfume da morte, suas mechas de fogo dócil ao olhar jaziam em teu próprio ser toda mágoa que eu queria.
Ouvia os passos da lentidão que caminha, sobrevoava o oceano de pétalas ao qual tracei o incrível sonho que por datas eu seria.
Outros tantos, mas só você e tua orgia caberiam as horas em que persuadia a alma ao fogo que de mim sorria, para sua insatisfação e fobia.
Causo euforia em tudo que detinha e sumia de acordo com minha calefação dos córregos de ácido que tecia ao som da noite que surgia, só assim tu saberia que a sorte foi lançada naquele dia, em que se deitou em minha cama e a tornou vazia.
Postes de gás que se rompiam para afogar-se nas lástimas poéticas por vezes fétidas, mas de vez em nunca comigo tu te abrias.
Eu apenas te olhava e tu choravas como os gansos no lago ao norte da sala em que assistia da janela quebrada, assistiam.
Toda a vida, suas mentiras, teus créditos por ser única trinada em teus cabelos macios, madeixas coloridas das fantasias, essas quais tu apenas regurgitava aos tantos em que recortaras. Laços de putrefatos jimbos de alegria, que gratina quando me vias.
Daqui pra lá, agora temo quantas vezes por ti corria.
Fujo da insólita cor, àquelas flores murchas, os gemidos de amor agora apenas perfazia em minha mente os caminhos que tuas lembranças percorriam.
Cinzas de sabor amargo, perto da dor provocada por seus tentáculos.
Tento não saber, amaldiçoar o meu saber, para assim conscientizar de não lembrar o porquê de teu querer.
Não quero mais quebrar os vidros que me rodeiam, apenas retiro as travas da redoma e ignoro sua piraúna. Vou embora para perto dessa glória refletida em meu rosto na água límpida e cristalina da maré que se enchia de outras orgias, vícios e quem sabe assim alegrias, pois toda alma atingida por raios e explosões de uma pequena mente vazia, por tantos corpos ela se passa, sempre continuará curtida ao óleo que somente assim se esvazia. Logre outrora grato, quero tentar estar puro ao meu mero fato.
edit post